O que você precisa saber para ser um consultor SAP

Estabilidade financeira e um bom emprego é certamente o que deseja a maioria das pessoas que ingressam no mercado de trabalho desde sempre, especialmente quando há a opção de se fazer “carreira” em uma determinada empresa ou função. Esse “sonho” antigamente era viável com concurso público. Mas esse cenário tem mudado completamente: hoje já é possível “inverter o jogo” e figurar entre os que são disputados para contratação, e ainda por cima com excelente salário (e a possibilidade de mudar de empresa ou projeto, se assim o desejar). À primeira vista, essa é a principal vantagem de ingressar numa carreira para se tornar um consultor SAP. Mas não se iluda quem pensa que se trata de uma vida fácil ou acomodada. É preciso estudar muito, atualizar-se constantemente, e literalmente investir no cargo – já que o valor para a formação SAP é ainda bastante elevado – mas a recompensa ao final certamente vale muito a pena.

Entrevistamos Jeanderson Oliveira, consultor SAP há 10 anos e professor do curso de formação da Gplux, sediada no Rio de Janeiro, que oferece treinamentos para as principais academias SAP. Jean contou um pouco da história do SAP no Brasil e do que se trata a plataforma, bem como as dicas e dificuldades para se obter o exame de certificação ao final do curso:

GONOW TECNOLOGIA: Como surgiu o SAP?

JEAN: A SAP se instalou no Brasil em 1995, mas o ano do “boom” foi 1996. O sistema SAP é um software ERP voltado para integração entre os diversos processsos de negócio, eu poderia até dizer que é um software que representa vários softwares de gestão. Empresas antes desses sistemas ERPs possuíam softwares proprietários (e ainda existem empresas que os utilizam) para atender a uma determinada área da empresa. Por exemplo: um software para o departamento de administração de materiais que envolve estocagem, compras, faturas. Um outro software que não necessariamente estaria ligado ao sistema de administração de materiais, como de recursos humanos, finanças, gestão de vendas, produção… bem, esses vários softwares e alguns outros representantes desses sistemas ERPs, com o sistema SAP foram todos convertidos num único software que tem essa integração total. Aí eu digo, um banco de dados único compartilhado com todos esses pequenos sistemas, e todos seguindo a mesma filosofia, o mesmo método, a mesma metodologia, a mesma forma de navegar pelo sistema, então em termos de aprendizado para essas pessoas que usufruem do sistema é bem mais rápido e mais interessante.
Mas ao mesmo tempo que um sistema ERP hoje integra todos os departamentos dentro de uma companhia, eu diria que seria impossível uma pessoa com conhecimento 100% do sistema SAP. Então a empresa de certa forma acabou tornando o conhecimento bem modular, embora o que a gente tem hoje de metodologia de implementação desse software de gestão já é mais uma visão de processo, que atravessa os módulos. Mas em termos de formação de consultores, essa a formação ainda é modular. E ainda é necessária essa formação modular justamente por isso, por que como o sistema se abriu para todo o universo empresarial é quase impossível você ter um consultor, um profissional que detenha esse conhecimento tão amplo e ao mesmo tempo tão aprofundado.

GONOW TECNOLOGIA: E existe alguma academia SAP que agregue uma base de conhecimento mais ampla e que a partir dela possam se originar os demais módulos?

JEAN: Sim. Existe um curso, chamado TERP, que oferece essa visão do sistema como um todo. E ele é bem direcionado para pessoas que desejam ter uma macro visão e normalmente para alta gestão, mas não necessariamente irão se aprofundar em algum módulo. E a maioria do público que frequenta esse curso é de gestores, gerentes de projetos – que jã são da área de TI – até presidentes e diretores de empresas que estão querendo conhecer o sistema como um todo. E esse curso apresenta um overview do SAP e a integração entre seus diversos módulos.

GONOW TECNOLOGIA: Qual a relação desse curso com o tamanho de uma empresa? Imagino que no Brasil deve haver empresas a partir de 250 funcionários, ou 500, por exemplo. Como seria essa variação?

JEAN: Sim, inicialmente o SAP foi concebido para grandes empresas e multinacionais. A maior fatia do mercado SAP pertence a elas. Uma grande empresa vai de 3 mil funcionários para cima. Mas o sistema SAP depois que percebeu que tinha um nicho de mercado, especialmente aqui no Brasil, resolveu lançar um sistema menor, um pouco mais enxuto, que pudesse servir para outras empresas. Sendo assim, houve uma adaptação que oferece uma implementação pré-moldada, de forma que os custos de implementação pudessem ser reduzidos – para não cair nos milhões que precisam ser investidos – e não podemos falar só na implementação, pois a manutenção do sistema SAP também é muito cara. Então as empresas que hoje implementam SAP precisam se preocupar com o custo da implementação e o custo da manutenção desse sistema. Compor uma equipe interna de forma que essa equipe consiga trabalhar de maneira mais independente é uma alternativa para reduzir esse custo da manutenção. Tanto que muitas empresas que implementam SAP empregam analistas que permanecem na empresa, como empregados, analistas da área de TI, toda a área de negócios, para aprenderem durante o processo de implementação o que essa consultoria externa – pois normalmente é assim que se pratica nas implementações – o que ela vem a ensinar.

GONOW TECNOLOGIA: Tem um nome específico para esse sistema que foi, digamos assim, adaptado para a realidade brasileira das empresas?

JEAN: Sim, é o Business One. Ele já passou por vários nomes e o nome mais atual é esse. Não posso nem dizer que é voltado para pequenas empresas pois pequenas empresas no Brasil, se a gente dividir as empresas brasileiras, 70% se enquadrariam entre as micro e pequenas. E essa pequena empresa que a gente subdivide na economia brasileira não é a pequena empresa que conseguiria necessariamente implementar um sistema SAP em virtude dos seus próprios custos.

GONOW TECNOLOGIA: Qual o diferencial do Business One em relação ao SAP original?

JEAN: Já existem alguns módulos pré-definidos, com todo um roteiro de implementação pré-configurado dentro do sistema e ao invés da empresa passar por todo um redesenho de processos, de releitura e adequação do que o sistema tem a oferecer – e o que o SAP tem a oferecer são muitas alternativas, por isso que entre os ERPs que existem no mercado ele acaba sendo um dos ERPs mais abertos que têm, em virtude das mais variadas possibilidades de adaptações. Agora, quando trabalhamos com um processo mais enxuto, que é o caso do Business One, a SAP já tem uma melhor prática para uma empresa, com alguns módulos pré-definidos e algumas configurações prontas e a empresa se adequa a esse método.

GONOW TECNOLOGIA: Jean, me fala um pouquinho da sua experiência com SAP, qual dos módulos você conhece mais?

JEAN: Eu sou contador por formação e me especializei em auditoria contábil e tributária. Antes de entrar para o mercado SAP eu já conhecia e já trabalhava com outros sistemas ERPs, inclusive ERPs nacionais. E o ERP nacional eu já tinha facilidade por estar totalmente aderente à tributação brasileira. O módulo da administração de materiais, que lida com as compras, é o que requer mais conhecimento tributário aqui dentro do Brasil. E uma empresa atua, no caso da administração de materiais, com todas as variedades de fornecedores. Em virtude disso, ela tem que conhecer não só como é a tributação do seu próprio negócio como também as tributações externas, e refletir esses tributos dentro da empresa. Se é do interesse da empresa comprar de uma indústria, por exemplo, eu tenho que saber todos os tributos que incidem sobre a venda que aquela indústria fez para ela.
Esse foi o módulo que eu resolvi investir em virtude da minha formação – esse é o módulo que contempla todo esse universo tributário na sua complexidade. E o módulo SD é um investimento que tenho feito nos últimos 4 anos porquê já trabalhava com SD junto com administração de materiais (e trabalhando com administração de materiais você de certa forma se envolve com o SD de quem te vendeu a mercadoria). Enquanto na compra você se preocupa com a situação tributária dos seus fornecedores, no módulo de vendas você se ocupa da tributação de seus clientes e a sua própria tributação. Então se é uma indústria, eu tenho que saber todos os tributos que incidem sobre as minhas indústrias e meu nicho de mercado, que são meus clientes. Ao passo que no módulo de administração de materiais esse conhecimento tem que ser muito mais aberto, mais amplo. Porque você pode comprar de uma indústria, de um prestador de serviço e tem que conhecer a tributação de todos eles. Eu preferi começar meus estudos no SAP pela administração de materiais, pelo mais complexo, porque já era minha formação mesmo, minha experiência, enquanto contador e auditor tributário, para chegar nesses últimos anos em que já estou trabalhando no módulo de vendas e distribuição também. De certa forma, hoje em dia, independente de ser administração de materiais ou vendas e distribuição, um módulo dentro do sistema SAP nunca caminha sozinho, ele está sempre integrado um ao outro. Então é impossível um consultor que trabalha com administração de materiais hoje não deter nem o mínimo de conhecimento do módulo de vendas, ou módulo de finanças, ou de contabilidade, ou de custos. Ele precisa conhecer alguma ponta, que seja a ponta final ou a ponta inicial de algum desses processos.

GONOW TECNOLOGIA: Mas ao mesmo tempo ele tem que interagir com outros consultores que saibam das outras especialidades…

JEAN: Exatamente. Esse consultor de administração de materiais, assim como o consultor de vendas ou de finanças tem que saber em que momento ele precisa interagir com outro consultor. E aí é o trabalho em equipe. Muitos dos momentos das implementações, até dos trabalhos que são feitos dentro do sistema, vem dessa interação. Raramente existe um trabalho dentro do SAP que vai influenciar só naquele módulo, em particular. Então por isso é que dentro da metodologia que se aplica hoje para implementar um sistema SAP, que é o solution manager, há essa visão já não mais modular, porque não tem esse módulo isolado dentro do sistema como foi concebido o ERP lá na sua origem, onde cada um cuidava do seu e tinha um consultor especializado naquele módulo que não se envolvia com outro.

Assista à entrevista com Jeanderson Oliveira, instrutor certificado SAP:

Veja também a apresentação do mercado SAP pela Gplux:

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4 Responses to O que você precisa saber para ser um consultor SAP

  1. Alvaro Mendonça disse:

    Estava ha dias procurando uma materia com essas informações, e aqui consegui algo melhor, a opinião de um consultor SAP experiênte e que pelo visto gosta do que faz. Obrigada GoNow por esta matéria, com certeza irá fazer a diferença na minha opinião para entrar na área de TI.

  2. Alexandre Costa disse:

    Muito esclarecedora a entrevista, com informações muito boas inclusive para quem está se inserindo no mercado. Parabéns!

  3. Emerson D. disse:

    Estou tendo a oportunidade de cursar a Academia SAP tendo o Jeanderson como instrutor. Pessoal, ele entende muito do assunto e transmite claramente o conteúdo.
    Um dos melhores Consultores do mercado.

  4. Feliciana B. disse:

    Gostei muito, porem gostaria de saber, qual a melhor consultoria custo x beneficios ??